As minhas razões

Bom dia!

Antes de mais obrigada por lerem os disparates que escrevo. Quando comecei a escrever este blog, começou por ser uma forma de me recordar dos tempos de gravidez, dos primeiros momentos do Afonso, dos bons momentos que vivi, mas também das dificuldades que tive e vou tendo. Tentava registar tudo, até porque numa segunda gravidez e filho, gostaria de recordar como tinha sido e em que tempo se tinha passado determinada situação, como se mais tarde funcionasse tipo manual de instruções.

Primeiro li o "Socorro! Sou Mãe", quando estava grávida e a partir daí, depois do Reizinho estar cá fora, tinha necessidade de ler o que outras mães sentiam, como faziam e toda essa partilha foi bastante importante para mim, apesar de não conhecer essas mães pessoalmente. Tornou-se então necessário que essa partilha tivesse a merecida reciprocidade. Lembro-me de telefonar muitas vezes às minhas irmãs a fazer perguntas, e de gostar de as ver a tratar dos meus sobrinhos, só para poder observar como elas fazem. 

Tive os meus momentos de incerteza, de estar ou não a fazer o correcto e nunca fui pessoa de esconder as minhas dificuldades por detrás de uma cara alegre. Sempre gostei da verdade. E sempre gostei de escrever. Escrever e partilhar sobre um assunto que era agora o meu mundo tornou-se fundamental no meu dia-a-dia. 

Assim comecei, desafiada pelo marido, pelo meu lindo, enérgico e exigente filho e pelas duas mais velhas, as manas gatas, minhas filhas, sempre travessas mas cheias de amor para dar. É um facto que constato sempre, que se não as tivesse, provavelmente seria mais fácil organizar a casa e teria muito menos trabalho. Mas seria impensável não as ter como parte da família. Elas já eram as minhas filhas antes do Rei nascer.

Para jamais me esquecer destes maravilhosos mas desafiantes dias, entre fraldas, bolçados, gataria, sorrisos e noites mal dormidas, decidi descrever episódios triviais, acontecimentos engraçados e quase surreais, que quando olho para trás me dá uma tremenda vontade de rir. E depois, como tenho um marido com uma imaginação muito fértil, que inventa histórias da carochinha para tudo, por vezes iniciam-se aqui verdadeiras conversas de doidos.

Hoje escrevo sobre tudo, e sobre nada específico afinal. Apenas as minhas razões...que me levam a continuar quando vejo que o que de tão banal escrevo, afinal é merecedor de 2 minutos de leitura de alguém e de constituir uma Bíblia de recordações para a nossa família. E sei da importância disto. Há algum tempo atrás encontrei um caderno quase desfeito mas organizado, com apontamentos da minha mãe. Ela escreveu sobre todas as quatro filhas, em diversos momentos da nossa idade, sobre as brincadeiras, as discussões, as disputas, as doenças e a medicação que nos deu, a alimentação e os marcos de desenvolvimento. 

Fiquei deveras apaziguada e confortada quando li algures a meu respeito: "deixei-a por uns momentos com o pai, porque já estava farta de a aturar..." 
Isto no contexto de uma birra que eu tinha feito e de ser a 4ª filha, e de ela se encontrar exausta, fez com que me apercebesse que até a minha mãe perfeita, como a considero, apesar de amar incondicionalmente as suas filhas e adorar crianças e bebés, tinha os seus momentos de cansaço e de trepar paredes. E nós, mães agora, nunca perderemos aquela inocência das meninas que fomos, mas teremos de a camuflar frequentemente, sob a "cara de adulto", segura e sabedora. Interiormente continuaremos a ser as mesmas, filhas, netas, protegidas e mimadas, que ainda há pouco brincavam no parque e sonhavam orgulhosas, que um dia iam ter bebés...


A não perder: 

- A listinha com as perguntinhas da praxe para fazer na próxima consulta de pediatria, 
- Afonso dá os primeiros passos, 
- Mãe, deixa-te de cenas e põe o Afonso a dormir no seu quartinho, lá que tenhas medo do escuro...
- Parto passo-a-passo...hummmm...escrevo ou não escrevo?

Comentários

Mensagens populares