6 Meses, 2 dias e 1 cabeça partida...

Foi naquele dia 22 de Fevereiro...O Rei tinha então completado meio ano de vida, dois dias antes, e pouco se mexia ainda. Costumava deixá-lo em cima da cama, enquanto arrumava o quarto, e como o meu é dos pequenos, estava sempre de olho nele e ele sempre "à mão" para uma eventual operação de salvamento. Ora portanto, eu sabia eu achava que sabia as habilidades que ele já fazia. Essas habilidades apenas incluíam virar-se, ainda que pouco, e apenas para um dos lados. Não englobavam porém, cambalhotas seguidas, malabarismos e muito menos marcha atrás, ou à frente. 

Fui parva, pois claro que fui. Dizia para mim mesma que nunca se deve deixar um bebé sozinho em cima da cama dos pais, mesmo que com almofadas, nem que fosse para ir "já ali". O Rei nesse dia estava doentinho, com mais uma virose e como tal, não foi à creche. Como tenho sopas que congelo, para ter sempre em stock, dirigi-me à cozinha para retirar uma sopa do congelador cá para fora, para o almoço do Rei. Foi mesmo para "ir só ali". 

Quando me preparava para regressar ao quarto e num espaço de nem um minuto, oiço um grande estrondo, seguido de choro do bebé. Nem queria acreditar, não, não era possível. Só podia ser coincidência o barulho. Qualquer coisa havia de ter caído e ele assustou-se. Tudo isto me passou pela cabeça numa fracção de segundos, segundos em que me apressei a ir ao quarto.

Entrando lá, vi o bebé no chão, com grande probabilidade de ter ainda batido na sua espreguiçadeira que estava perto da cama. Socorro! Que fui eu fazer? Ele parou logo de chorar quando o agarrei e imediatamente analisei a cabeça. Nada me parecia estranho. E como ele parou de chorar, julguei que tivesse sido um grande susto. Telefonei para 3 mães experientes e todas me disseram para estar atenta a sinais como: sonolência, vómitos, choro, hematomas, feridas e outros comportamentos estranhos.

Como já estava a pensar ir ao hospital com ele nesse dia, e o meu marido até vinha do trabalho mais cedo para ir connosco, esperei até que ele regressasse e lá veríamos o que se passava com a cabecinha. 
Mais tarde, o Afonso adormeceu e eu também. Quando acordou, dei-lhe o almoço, comeu bem - como sempre - e logo o pai chegou. Disse-lhe o que tinha acontecido, mas que não tinha encontrado nenhum hematoma. Claro que não! Os hematomas muitas vezes não crescem logo, vão crescendo. Assim que o pai analisou a cabeça apercebeu-se de imediato que tinha hematoma e não era assim tão pequeno, ainda que disfarçado pelo cabelinho.

Fomos LOGO para o Hospital, Afonso visto e pregaram-nos um "cagaço" - perdoem-me a expressão - dizendo que poderia ser grave. TAC à cabeça revela fractura parietal no lado direito (paralela à orelha), apenas com hematoma externo e interior da "massa cinzenta intacto". Tivemos que ficar sob observação 24 horas para analisar a evolução, ainda que o prognóstico fosse bom.
24 horas naquele serviço, um corropio de gente a entrar e sair, o pai foi buscar malas e bonecada diversa, escova de dentes e chinelos, bolachas para mim. Só queria que o meu pequenino ficasse bem!

Foi difícil ver o meu bebé com um cateter espetado na veia, caso fosse necessária alguma intervenção nesse sentido, mais parecia que tinha o bracinho partido pois teve de ser todo envolvido em gaze para não ir parar à boca. Sim, nessa altura, tal como agora, já punha tudo na boca. Felizmente correu tudo bem. Consulta de neuro-cirurgia 1 mês depois do acidente sem pára-quedas, apenas para controlo. Tudo ok também! Próxima consulta da especialidade - 3 meses depois - acompanhada de novo exame à cabeça para encerrar definitivamente o caso! Será ainda este mês...

Ainda hoje me culpo por isto, apesar de levarmos a coisa para a brincadeira: o Rei ganhou charme entre as miúdas, fama no colégio, respeito entre os primos (pois ele é um ganda maluco e já partiu a cabeça) e uma nova alcunha "o cabeça rachada"! No Hospital disseram-me para não me censurar, pois é muito comum as criancinhas mostrarem as suas novas habilidades aos pais da pior maneira, e esta é bastante recorrente. O mais novo que lá lhes tinha aparecido era um bebé de 10 dias que tinha caído do ovo. Ficou bom também. Aparentemente a cabeça partida não lhes dá dores, o que já é um conforto.

E agora maltratem-me se quiserem, mas conto esta história para que sirva de exemplo! NUNCA facilitar! 

Comentários

  1. Pois é!O meu Gui caiu do sofá com 1 mês de vida.Perguntas tu, mas como? Sei lá eu, supostamente com 1 mês eles não se mexem mesmo, a não ser dar às perninhas e aos bracinhos que ele já nasceu a saber karaté.Ora andava eu sempre a chatear o pai para não odeixar em cima do sofá sozinho e qd deixasse colocar uma espreguiçadeira que temos na sala encostada que fica mesmo ao nível do sofá e quem se foi desleixar fui eu!!!!Fui atender o telefone ao quarto(e agora perguntas tu porque raio tinhas o telefone de casa no quarto? Agora já não tenho ok?)ele estava a dormir um soninho descansado no sofá e pimba oiço um grito e ele a chorar, pensei eu acordou e não me viu, desligo o telefone e quando chego à sala estava o Sr. Gui no chão de barriga para cima com 1 mês de vida a olhar para mim de lho arregalado. Ai o que eu chorei agarrada a ele, despi-o todo, qual médica a analisá-lo de ponta a ponta, ligo ao pai em pânico, vamos para o hospital e a médica fez o mesmo que eu, nem sequer foi para Raio X , só disse: Mãe, eles só estão protegidos dentro da barriga, fora dela, sozinhos só no chão. Como é que um bebé de 1 mês rasteja e cai de um sofá? Vá-se lá saber...

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  2. Pois é, são muitos os praticantes de desportos radicais, e nós nem sabemos, até ver! Também desatei a chorar quando vi o meu pequenino assim. Também o analisei, mas na altura não deu logo para perceber o hematoma. Felizmente que em ambos os casos, está tudo bem. Ai os sustos que eles nos pregam! Agora acho que as nossas mães são deusas por conseguirem que nós vivêssemos sem parecerem umas doidinhas, cheias de medo que nos acontecesse algo. Um dia também vamos aprender a conviver com o facto de sermos mães e tudo o que isso implica, ou seja, ter sempre o coração fora de nós, aonde quer que eles andem...

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